segunda-feira, 17 de abril de 2017

AFINAL, PÉGO, PÊGO OU PEGADO ? TIRE A SUA DÚVIDA COM UM PROFESSOR

Sempre toquei no assunto, na minha página no Facebook, chamando a atenção para o uso de PÉGO ou PÊGO pelo pessoal que faz rádio e televisão, além de muita gente nas suas postagens. Sou totalmente contra o uso dessas duas palavras, quando o certo é PEGADO, mas continuam ferindo os nossos ouvidos. Resolvi então solicitar do Professor e Radialista Givaldo Kléber sua opinião sobre o assunto e ele nos deu uma verdadeira aula de português. Acompanhem, abaixo, a resposta que ele me enviou:
                                    Professor e radialista Givaldo Kléber Albuquerque Lima
                            

Meus caros: alguns (poucos) verbos de nossa língua têm um particípio curto, irregular, ao lado do particípio normal que todo verbo tem (em -ado ou -ido). Esses verbos são os famosos abundantes: PAGAR, pagado e pago; ACENDER, acendido e aceso; IMPRIMIR, imprimido e impresso; e assim por diante. Qualquer gramática razoável tem uma lista desses verbos. Cuidado, contudo, com o poderoso efeito da analogia, que pode criar (ou tentar criar) outros verbos abundantes. Isso já aconteceu com pegar. Para a língua culta formal, só existe pegado; o povo, por analogia com pagar criou pego, que ainda é visto com desconfiança pelos acadêmicos (pagar está para pagado e pago assim como pegar está para pegado e PEGO…).
Na esteira dessa analogia proporcional (X está para Y, assim como A está para B), já me perguntaram se trazer, além de trazido, tem a forma trago (!); se cegar, além de cegado, tem a forma cego; se pregar, além de pregado, tem a forma prego; se chegar, além de chegado, tem a forma chego. A resposta é NÃO para todos eles. Embora, a Lingüística ensina que "nada impede que venham a existir essas formas algum dia". O que diria um estudioso do século passado se lhe perguntassem se pegar tinha dois particípios? Claro que responderia que não, mal sabendo ele que o controvertido pego já vinha vindo a galope… E, se a forma PEGO chegar a ser oficializada, os estudiosos do assunto são unânimes em apoiar a forma fechada. Diga-se, desde já, para não haver dúvidas: a pronúncia aberta do verbo pegar (pégo),no particípio passado, é um modismo que, em época mais recente, vem-se alastrando entre os usuários do idioma, e isso por significativa influência do rádio e da televisão; mas essa pronúncia não encontra respaldo algum nas regras de ortoepia do vernáculo, nem entre os estudiosos do assunto. Algo mais, amigo, Rômulo Uchôa???


                            Givaldo Kléber Albuquerque Lima é: 
                                                  Programador na empresa Instituto Zumbi dos Palmares
                                                  Locutor Apresentador na Rádio Difusora de Alagoas
                                                  Programador na empresa Instituto Zumbi dos Palmares IZP Geral
                                                  Estudou Literatura na Instituição de Ensino Ufal
                                                  Estudou Português na Instituição de Ensino Letras
                                                  Estudou Letras na Instituição de Ensino Ufal
                                                  Frequentou a Escola Moreira e Silva
                                                  Especialização em Literatura e língua portuguesa pela 
Unicid (Universidade Cidade de São Paulo) e pela Academia Alagoana de Letras.

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