domingo, 20 de outubro de 2013

CÃES E GATOS DEVEM OU NÃO COMER COMIDA CASEIRA?

Livros de receita gourmet e comida congelada são tendência em outros estados. Veterinários, no entanto, recomendam ração.

Marie é alérgica a trigo, soja, cenoura e grama e precisa se alimentar de arroz integral e carnes preparadas diariamente. Foto: Bruna Monteiro/Esp.DP/D.A Press


Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

Um dos assuntos que mais causam dúvidas entre o tutores é a alimentação dos pets. Uma das maiores proibições ou recomendações contrárias dos veterinários é fornecer alimentos caseiros para cães e gatos, mas estados como Rio de Janeiro e São Paulo é tendência chefes de cozinha se juntarem a veterinários e nutricionistas para elaborar pratos gourmet ou receitas caseiras que serão servidas aos cães. Mesmo sendo bastante discutida, as consequências de dividir o que se gosta de comer com o animal não é questão unânime entre especialistas.

Grande parte das receitas vem do livro Cão Gourmet: Receitas caseiras e saudáveis para seu cão, escrito por Myrian Abicair. Algumas empresas que produzem comida congeladas também surgiram com o mesmo fim. Os pratos mais famosos são almondegas, panetone e risoto vegetariano. Os ingredientes são diversos, mas a promessa é a mesma: oferecer comida saudável como petisco ou complemento alimentar. Cada prato é comercializado por preços em torno de R$20,00 e a apresentação é item essencial.

De acordo com veterinário e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Marcelo Teixeira, a comida humana não deve substituir a ração, já que esta contém aquilo que o organismo do animal precisa absorver. "As necessidades entre animais e humanos são diferentes, então não é recomendado servir a eles o mesmo que comemos. Cada nutriente deve ser ingerido na quantidade adequada para ambos. Se a comida se adequar ao que o organismo do cão precisa, pode servir de prêmio, agrado ou apenas um complemento sem fazer parte da dieta diária do animal, sem substituir a ração", opina.

Marcelo ainda acrescenta que corante, sal em excesso, temperos e conservantes devem ser evitados. Caso sejam ingeridos, podem causar reações como alergias, vômito, problemas na pele ou diarréia. "Se a alimentação é balanceada, ele vai estar nutrido. Então ingerir o que não é indicado pode prejudicar a saúde. Caso seja preciso, o indicado é criar uma alternativa saudável à base de alimentos frescos e que possam inclusive colaborar no controle do peso dos animais, bem como, agir como coadjuvante em tratamentos (a exemplo de alergias alimentares")", explica.

Já a veterinária especializada em alergia alimentar do Hospital Harmonia, Sintia Valadares, afirma que na dieta animal podem ser incluídas comida de panela ou até, em alguns casos, pode ser recomendado que a ingestão exclusiva deste tipo de alimento. "Uma das doenças mais comuns entre os bichos é a hiper-sensibilidade alimentar, que provoca reações adversas pela ingestão ou pelo contato com determinadas proteínas. Sendo assim, podem ser desenvolvidas alergias a carnes, soja, cenoura, entre outros ingredientes. A recomendação então é colocar uma ração específica para cada caso ou administrar comida caseira", diz.

Segundo Sintia, casos de hiper-sensibilidade alimentar representam cerca de 80% dos casos que chegam diariamente em seu consultório. Marie, uma cadela da raça Lhasa Apso, está entre esse número. Há oito meses a cachorra que hoje tem quatro anos, ficou com as pálpebras inchadas ao comer pedaços de carne assada. Seu tutor, o representante comercial Paulo Henrique, de 60 anos, recorreu a diversos veterinários até encontrar o diagnóstico correto. "Em julho ela começou a apresentar esse sintoma e a primeira coisa que fiz foi consultar um veterinário sobre o caso. Fui a vários, mas nenhum acertava. Um aconselhou retirar a pálpebra, já outro afirmou que ela estava com leishmaniose. Foi então que a levei para doutora Sintia e ele realizou o teste que acusou a alergia", conta.

Alérgica a trigo, soja, cenoura e grama, Marie ficou impossibilitada de comer ração, já que em todos os tipos são encontrados alguns desses ingredientes. Além do tratamento que faz com antialérgicos, ela se alimenta com arroz integral, peru, frango e cordeiro, preparados diariamente sem tempero, apenas com água e pouco sal. Apesar da mudança, Paulo afirma que o orçamento diminuiu. "Atualmente gasto cerca de R$38,00 por mês para comprar os novos ingredientes, enquanto gastava na faixa de R$80,00 com a ração que durava 20 dias", compara.

Sobre o consumo deste tipo de alimento Sintia Valadares destaca que as guloseimas e o excesso são os grandes vilões. "O que amedronta é a possibilidade de o tutor dividir tudo aqui que come com seu pet. Isso não é indicado e pode ocasionar obesidade. Agora, se o indicado for administrar esse tipo de alimento é necessário um preparo exclusivo e balanceado, sem componentes nocivos. O indicado é utilizar óleos de soja ou de canela, água e pouco sal, para tornar o alimento saudável e sem risco", aconselha.

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