sábado, 10 de agosto de 2013

ANIMAIS TAMBÉM PRECISAM DE DOAÇÕES DE SANGUE



A transfusão de sangue é um dos tratamentos indicados para vários tipos de doenças caninas. Estoques estão baixos e tutores podem doar sangue de seus pet.
Luppy foi resgatado das ruas e precisou tomar bolsas de sangue. O tratamento está sendo custeado pela artesã Jussara Araújo. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Não é só entre os seres humanos que a solidariedade pode salvar vidas. Entre os animais a cura para determinadas doenças também depende da doação de sangue de outros bichos. No entanto, a falta de informação sobre a prática gera escassez nos bancos de sangue e dificuldade para os pets que precisam. No Recife existem apenas dois hemocentros, um particular e outro público que funciona no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Esse último está com o estoque zerado e precisa de doadores.

De acordo com a veterinária e professora da UFRPE, Ana Paula Monteiro, que coordena o Hemocentro da universidade, casos de anemia e doenças do carrapato, como babesiose e erliquiose, por exemplo, são os mais frequentes. Em média dois animais a cada 60 que são atendidos diariamente precisam realizar transfusão sanguínea. No entanto, vários problemas impedem que todos sejam atendidos. "O primeiro motivo é a dificuldade em montar um banco de sangue, depois a demanda é muito grande e ainda tem que se verificar a compatibilidade. Além disso os equipamentos nem sempre são suficientes", explica.

O hemocentro foi criado em 2007 por Ana Paula e os alunos que faziam parte do projeto. Com o estoque zerado atualmente, ela explica que os resultados só aparecem durante campanhas realizadas pela equipe."O nosso trabalho começou como um projeto de extensão, tendo em vista a grande quantidade de doenças que geram a necessidade de realizar a terapia de suporte. Fizemos algumas campanhas de doação com divulgação na imprensa e tivemos um bom retorno na época, mas logo depois diminuiu ", conta.

Os tutores que desejam tornar seu animal um doador, devem entrar em contato pelo telefone 3302.6435/6410 para realizar a inscrição. Um exame clínico é feito antes da coleta. As transfusões são realizadas sempre entre animais de uma mesma espécie. Para doar sangue o pet precisa ser manso, saudável, adulto de médio a grande porte, ter mais de 15 quilos e estar livre de carrapatos. A veterinária esclarece que a quantidade de sangue que é retirada varia de acordo com o porte. “São coletados de 10 a 15 ml por quilo. Apenas é retirada na coleta a quantidade que o peso ou porte exigem”.

Além do serviço público oferecido na UFRPE, o Hemopet, banco de sangue do consultório veterinário Fauna, realiza a terapia há mais de dez anos na capital. "Começamos nosso trabalho em 1999 e fomos o primeiro no Brasil. Atualmente somos o único hemocentro particular no Recife. A demanda é grande, mas como temos nosso próprio canil, o banco de sangue está sempre abastecido", diz a proprietária da clínica e fundadora do hemocentro, Rebeca Menelau. O Hemopet atende cerca de 5 demandas por dia e os valores das transfusões variam entre R$300 e mil reais.

Atualmente 20 cães da raça GreyHound mantêm o hemocentro com doações mensais. De acordo com Rebeca, esta raça facilita todo o processo, pois todas as outras precisam esperar até quatro meses para realizar uma nova doação. As transfusões no consultório podem ser realizadas em pacientes diretos ou de outras clínicas. "Cerca de 90% dos cães não são nossos pacientes, pois enviamos bolsas de sangue para outras clínicas. Também fazemos em clientes diretos e, inclusive, aceitamos doações de sangue", afirma a proprietária. A doação na clínica tem os mesmos critérios do hemocentro da UFRPE.

Cães que vivem na rua estão expostos a mais riscos, inclusive a doenças causadas por carrapatos. Foi o que aconteceu com Lupy, um cão sem raça definida de 4 anos que após ter sido resgatado precisou passar por transfusão. "Ele foi encontrado por uma amiga minha na rua e sangrando muito. Ela me ligou para informar e resgatamos ele imediatamente. No consultório veterinário ele foi diagnosticado com babesiose e erliquiose e precisaria receber sangue", lembra a artesã Jussara Araújo, 46 anos, que ajuda a tratar Lupy.

Para pagar todo o tratamento do cão, Jussara contou com doações e arrecadação feita através da venda de livros. Apenas o custo com a bolsa de sangue necessária para Luppy foi de R$366,00. A artesã ainda está fazendo o levantamento do dinheiro necessário e conta com a colaboração de veterinários. Um esforço que para ela, é válido. "Nós precisamos correr contra o tempo. Se não resgatássemos naquele momento, ele teria pouco tempo de vida, porque estava sangrando muito. Hoje ele continua a se tratar e eu tenho um amor grande para que ele viva".

A artesã conta que Lupy já combateu a anemia e continua o tratamento alojado na garagem do seu apartamento. Para ela, que já resgatou outros animais de rua, é importante que haja doação de sangue entre os bichos. "Eu já tinha conhecimento da possibilidade de transfusão entre os animais e já resgatei alguns bichos que precisaram do tratamento. Enquanto eles recebem o sangue, vejo a vida deles voltando. É tão importante quanto em um ser humano", afirma.
Fonte: Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco


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