sábado, 16 de junho de 2012

ADULTOS EXPERIENTES: GERAÇÃO "A"


Eles foram os jovens das transformadoras décadas de 1960 e 70 e agora reinventam o conceito de envelhecer, no Rio de Janeiro. Uma enquete da agência de publicidade Quê e da CASA 7 Pesquisa traça o perfil desses cariocas entre 60 a 75 anos, a “Geração A”: A de “ativa”, “autônoma” e de “agora” – sem tempo a perder.

onge da imagem de “idosos”, “terceira idade” ou “velhinhos” – expressões que rejeitam –, eles se enxergam como “adultos experientes”.

Na visão de cerca de 500 que responderam aos questionários, velhos eram seus pais, não eles.

A Geração A é independente, pratica esportes, ajuda financeiramente a família, viaja com frequência e tem vida sexual ativa.

Carlos Vieira, 63, que recentemente incorporou uma tatuagem no braço ao visual, resume assim sua geração: “Nós nos negamos a envelhecer, a morrer, e nos negamos a ficar caretas.”

Estudo sobre novos nichos publicitários deu origem à "Riologia"

O perfil da Geração A faz parte da Riologia, pesquisa que reuniu informações sobre cinco grupos de cariocas no novo momento vivido pela cidade, com o renascimento econômico, reflexos do Pré-Sal, UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e outras mudanças recentes, impactadas ainda pela melhora geral da economia e por programas sociais.

O que começou como a busca de um novo nicho publicitário acabou por descobrir peculiaridades e hábitos e criar novos perfis da “Geração A”, dos “Universitários Classe C”, dos “Solteiros”, de “Praticantes de esportes alternativos” e dos “Teens (Adolescentes) de famílias não-convencionais”.

O projeto e os resultados do primeiro grupo foram lançados no último dia 5 de junho, em café da manhã no Parque Lage, com representantes notórios desse perfil: o surfista Rico de Souza, que faz 60 anos em 2012, a atriz Nicette Bruno, 79, e o jornalista Ancelmo Gois, 64. Curiosamente, o estigma da idade levou muitos artistas e personalidades a recusar o convite para participar do evento. Um deles, reconhecido jornalista e produtor musical, avisou que não iria, porque tem apenas “30 anos”.

Rio é Estado do Brasil com mais pessoas acima dos 60 anos de idade

Para a Geração A, porém “velho é quem não tem autonomia”. Embora corresponda a 10% da população brasileira e a 13,3% no Rio – Estado com a maior população acima de 60 anos – a Geração A não se vê representada nos anúncios publicitários nem na mídia e se sente invisível.

“A sociedade ainda põe a gente como velhinho”, protesta Janete, 64 anos. “Roupa pra idoso ou é uma roupa mostrenga do século 19 ou você fica como uma piriguete, e aí fica ridículo!”, disse Maria Alice, 64, aos pesquisadores.

Na opinião de Tatiana Soter, diretora de Atendimento e Planejamento da Quê e idealizadora da Riologia, "não foi só a expectativa de vida que aumentou" para a Geração A.

"A expectativa de viajar, de ter autonomia, se relacionar e ter uma vida ativa também. Os idosos não querem ser vinculados aos velhos rótulos. Eles têm poder de compra e querem viver e consumir. A Geração A tem de ser vista pela publicidade sob esse novo olhar: o olhar da oportunidade", disse Tatiana.

A pesquisa tem ainda mais sentido de ser feita no Rio porque a cidade abriga nove dos dez bairros com mais pessoas acima de 60 anos no Brasil. Em Copacabana, por exemplo, são 30% dos moradores.

A Riologia identificou que 71% dos entrevistados colaboram financeiramente com a família e apenas 19% são dependentes dos filhos – o Censo 2000 já identificava que maiores de 60 eram responsáveis economicamente por 62,4% dos domicílios no País.

De acordo com a enquete, um terço dos entrevistados vive sozinho, quase a metade pratica atividades físicas regularmente e segue dieta, ações que lhes garantem saúde, considerada essencial para se ter autonomia.

Depois de responsabilidade, a liberdade – não ter de “dar satisfações a ninguém” – é o segundo item na escala de valores, ao lado de família e à frente de saúde. “A gente faz tudo que podia fazer antigamente. A gente tá livre, leve e solto!”, afirmou Evinha, 68, aos entrevistadores.

Metade dos entrevistados diz ter vida sexual ativa

Como ela, 76% fazem planos para viajar e praticamente a metade (47%) mantém vida sexual ativa -19% vivem relacionamentos eventuais. “Quando a gente para assim pra pensar que amanhã a gente pode pegar a mala e viajar, não é bom?”, questiona Paulete, 69.

As novas tecnologias, como internet e as redes sociais, também desempenham papel importante nesses relacionamentos, daí por que um em cada cinco dos ouvidos tem smart phone e um quarto tem perfil no Facebook ou no Orkut.

“Eu me atualizei, sou digitalizado, eu uso muito a internet como fonte de pesquisa, acho riquíssima. Eu não sou dos bits e bytes mas eu uso. Tudo que você imaginar, eu tenho”, disse João, 61.

“Um amigo chega pra mim e diz: cara, você está parecendo um garotão! Eu respondo, eu sempre fui um garotão!”, exemplificou Cabral, 64.

A preocupação com a estética não se limita à saúde. “Meu filho casou há três anos, e eu falei: ‘Com este pescoço, não vou ao altar! Então, fiz uma plástica. Botox, plástica, já fiz tudo. Tudo assim, pequenininho, para não ficar muito estranho”, contou Glorinha, 63 anos.
Fonte: Internet

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