sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O CÉU DOS CACHORROS. A LINDA HISTÓRIA DE VANESSA


Conheça a comovente história de Vanessa Alencar

O primeiro cão do qual me lembro se chamava “Pingo”. Eu tinha uns seis anos quando ganhei do meu tio o cachorrinho, um pincher de pelo amarelado. Chovia naquela noite e, lembro perfeitamente ter sido esse o motivo para batizá-lo de “Pingo”, meu primeiro cão.
Com ele, descobri as dores e delícias de uma amizade genuína, incluindo todos os excessos, erros, egoísmos e, a melhor parte, é claro: o companheirismo.
Um dia, não sei precisar quanto tempo depois de tê-lo comigo, acordei, chamei-o pelo nome como sempre fazia, e ele não estava mais lá. Tinha fugido ou sido levado, não sei o que aconteceu até hoje, mas, lembro que chorei dias a fio, sendo consolada pela promessa dos meus pais de encontrarem meu amigo.
Lembro também da esperança que senti quando um adulto me contou – não sei se com boas ou más intenções – que um cão igual ao Pingo tinha sido visto no “mercado”. Na minha imaginação infantil, era impossível não localizá-lo naquele tal mercado e pedi aos meus pais que fossem comigo até lá. É óbvio que nunca fomos.
Hoje, quando leio notícias sobre donos procurando seus animais de estimação perdidos, sei exatamente o que eles estão sentindo e, Pingo volta com toda força a minha memória. Se naquele tempo existisse internet, talvez eu o tivesse encontrado.
Um pouco mais tarde, tive outros cães: O Popi, uma mistura de poodle com vira lata, ganhamos quando eu, meus pais e irmãos fomos morar em Brasília. Em cerca de quatro anos que vivemos na capital do País, ele foi nosso companheiro, amigo e consolo quando tudo era saudade, desconhecido e estranho.
Quando voltamos a morar em Maceió, meus pais deixaram-no com uma moça que trabalhou em nossa casa. Fiquei agarrada a ele durante todo o percurso até a casa dela e despedi-me com a promessa dos adultos de que a separação seria provisória. Eu sabia que não era verdade e chorei no caminho de volta. Nunca mais o vi, em detrimento das tantas vezes que cobrei o cumprimento da promessa.
Tive outros cães: o Free, o Laki e o Smeágol, esses dois últimos, os cães mais loucos e divertidos da minha vida. Laki acompanhou a mim e meus irmãos por parte da nossa adolescência e o Smeágol, que ganhei de presente de aniversário de uma amiga de infância, foi paixão à primeira vista. Ele era passional como um personagem saído dos filmes de Almodóvar.
Quando minha filha nasceu, alérgica, tive de entregá-lo a pessoa com quem ele está até hoje e não tive mais cães, embora seja louca por eles.
Quando vejo as notícias sobre maus-tratos a esses seres que, para mim, sempre foram sinônimo de amizade, cumplicidade e amor incondicional, custo a acreditar, porque maltratar um cão é maltratar a própria inocência, o próprio amor.
Definitivamente, quem é cruel com eles, é capaz de qualquer coisa. É nisso que acredito, mas, só quem já teve um cão sabe a capacidade infinita de doação, superação e perdão desses animais.
Não é à toa que, desde a infância, acalento uma doce teoria: a de que existe um céu dos cachorros, onde não existem maus tratos, nem abandono e onde reencontraremos nossos melhores amigos.
Para mim, além da memória e do coração, é lá que estarão Pingo e os outros, fazendo de cada chegada uma festa inesquecível.
Vanessa Alencar
Fonte: alagoas24horas




  UM BOM FINAL DE SEMANA PARA TODOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário